A História dos Juros
Os Juros e a Bíblia (~100 A.C.)
Enquanto que no Velho Testamento os judeus só podiam cobrar juros dos estrangeiros, mas não entre si, no Novo Testamento aplicações financeiras que rendem juros é considerada a forma correta de administrar o dinheiro, como vemos aqui.
O Islamismo e o Alcorão (622 D.C.)
A usura é condenada e proibida nos termos mais enérgicos possíveis. Não pode haver polêmica acerca desta proibição. Quanto à definição da usura, isto dá ensejo para diferenças de opinião. Os nossos jurisprudentes, antigos e modernos, elaboraram um extenso trabalho de literatura sobre a usura, baseados, principalmente, nas condições econômicas, tal como existiam no despontar do Islam. Porém, devido ao fato de que os juros ocupam uma posição central na vida da economia moderna e, especialmente, já que os juros são o próprio sangue da vida das instituições financeiras existentes, muitos muçulmanos ficaram inclinados a interpretá-los de uma maneira radicalmente diferente da dos jurisprudentes muçulmanos, ao longo de quatorze séculos, e estão em conflitos acentuados com as injunções categóricas do Profeta. De acordo com os ensinamentos islâmicos, qualquer excesso no capital é ribá (juros). O Islam não aceita distinções, em casos de proibições, entre taxas razoáveis e exorbitantes de juros, e assim, entre aquilo que é considerado diferença entre usura e juros; nem entre retorno, em bônus, para consumo e para propósitos produtivos etc.
http://www.coran.org.ar/portuges/Indices/indicesuras.htm, nota 126.
"Sobre os Juros e Outros Ganhos Desonestos", por Bento XIV (1745 D.C.)
Na encíclica "Vix Pervenit" ("Dificil de Atingir"), de 1745, o papa Bento XIV condena a cobrança dos juros para todos os católicos.
"A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", por Max Weber (1905)
Nessa famosa obra do sociólogo Max Weber, ele mostra que o desenvolvimento econômico do Ocidente esteve relacionado com a permissão da cobrança dos juros pelo Protestantismo, até então proibida tanto no Deuteronômio (Antigo Testamento) como no Alcorão. Ele mostra que foi a Reforma Protestante que deu um grande impulso ao crescimento econômico. De fato, a maioria das nações hoje desenvolvidas segue a Ideologia Protestante, criada por Lutero em 1517.
"The Idea of Usury", por B. N. Nelson (Princepton Univ. Press, 1949)
Nelson mostra o desenvolvimento histórico da idéia de se cobrar juros, que tanto tem enriquecido uns quanto arruinado outros. Princepton é um avançado Centro de Pesquisas dos EUA (onde viveu Einstein por muitos anos). A obra pode ser encontrada na biblioteca da Faculdade de Direito da USP.
A História dos Juros (Enciclopédia Católica, 1996)
Hoje o Vaticano possui uma visão mais moderada sobre a cobrança dos juros, em relação àquela exposta na encíclica Vix Pervenit. Afinal, ele é atualmente o proprietário do Banco do Vaticano. Para mais detalhes, ver "As Finanças do Vaticano", de Corrado Pallenberg (traduzido da edição italiana de 1968) e "Em Nome de Deus", de David Yallop, (da edição inglesa de 1984), sobre o complô que resultou no assassinato do papa João Paulo I.
A história dos "juros altos" (nov-2005, distribuido pela Internet)